terça-feira, 30 de setembro de 2008

A gaivota que não queria ser

Era uma vez uma gaivota que gostava de ser pomba.

Dizia ela que as gaivotas não servem para nada, ao passo que as pombas sempre servem para alguma coisa.

— Levam cartas, mensagens, avisos de um lado para o outro — explicava ela às outras gaivotas. — São as pombas ou os pombos-correios.

— Também há quem as cozinhe com ervilhas — interrompeu-a uma gaivota trocista.

— Essa serventia a nós não nos interessa — arrepiaram-se as outras gaivotas, que voaram, alarmadas.

Ficou sozinha a gaivota que queria ser pomba. Servir de cozinhado também não estava nas suas ambições, mas à falta de outro préstimo… E pensou: “Gaivota estufada”, “Gaivota de cabidela”, “Gaivota guisada com batatas”…

Realmente, não lhe soava bem. E menos bem devia saber, porque nunca lhe constara que os humanos, de boca aberta para todos os gostos, tivessem incluído tais receitas nos seus livros de cozinha.

A gaivota que queria ser pomba ficou a olhar o mar. Ia abrir as suas asas para as lançar sobre as ondas, à cata de peixinho para o almoço, quando um estranho torpor lhe tomou o corpo. Deteve-se. Encolheu-se. Tapou a cabeça com uma asa. Aquilo havia de passar.

As outras gaivotas, que há pouco tinham debandado, regressavam à praia, apanhadas pelo mesmo entorpecimento que atingira a gaivota desta história.
Formaram um bando tiritante, rente ao mar. Umas, levantadas numa só pata, outras escondidas numa cova da areia, olhavam as águas esverdinhadas, espumosas, como turistas descontentes com a paisagem.

— Estão as gaivotas em terra — disse uma voz humana, abrindo uma janela, junto à praia. — Vai haver tempestade. Sendo assim, já não me arrisco a ir para o mar.

De facto, quando as gaivotas ficam em terra, os pescadores sabem que o tempo vai mudar. Elas é que dão o sinal. Elas é que sabem. Elas é que pressentem quando a tempestade se aproxima.

“Afinal, sempre tenho alguma utilidade”, pensou a gaivota que queria ser pomba, toda enrolada numa bola de penas, e, daí em diante, preferiu continuar a ser gaivota.

António Torrado
(mais histórias do dia, aqui do lado direito)

domingo, 28 de setembro de 2008

It's not easy...

Sim, não é fácil... admito.

Não é fácil ser eu... Mas também não escolheria ser mais ninguém.

Essa é que é a verdade...


(Nota: conversas com os meus botões, que só eu devo entender...)

It's not easy

I can't stand to fly
I'm not that naive

I'm just out to find
The better part of me

I'm more than a bird:I'm more than a plane
More than some pretty face beside a train
It's not easy to be me

Wish that I could cry
Fall upon my knees
Find a way to lie
About a home I'll never see

It may sound absurd:but don't be naive
Even Heroes have the right to bleed
I may be disturbed: but won't you conceed
Even Heroes have the right to dream
It's not easy to be me

Up, up and away:away from me
It's all right:You can all sleep sound tonight
I'm not crazy:or anything

I can't stand to fly
I'm not that naive
Men weren't meant to ride
With clouds between their knees

I'm only a man in a silly red sheet
Digging for kryptonite on this one way street
Only a man in a funny red sheet

Looking for special things inside of me

Its not easy to be me.

Superman (It's not easy) - Five For Fighting


Nota: Ora, apeteceu-me juntar o útil ao agradável... É mesmo lindo, lindo, lindo... Ai, ai... :P

quinta-feira, 25 de setembro de 2008

Nada

Vem rastejar, que te faz bem

Vem rastejar, que te faz bem
Implora porquês que não vou responder
Geme a chorar, que te faz bem
Sangra o teu mundo só para eu ver
Afoga-te em tudo o que não queres ter
É só o que te vou mostrar
Vou fazer-te só o que não queres ser
E vais gostar...
Quero-te assim...

Sacrifica o teu ar, que te faz bem
Sufoca entre panos vestidos de azul
Tortura os teus olhos para veres bem
Que arranhas a voz em tosses sem som
Afoga-te em águas e cores de lua
Sente o céu a quebrar!
Desfaço-te em tudo o que é teu
E vais-me amar...

Quero-te... assim
Só para mim
Quero-te assim
Só para mim

Só quando o sol te comer a pele
E o luar te roer a alma
Na lama que te arranca as asas
Quando fores ave amarrada
Vais voar no meu céu negro!

Vais ser

Vais ser
Nada
Nada
Nada
Nada

Vem rastejar, que te faz bem
Sangra o teu mundo, que te faz bem.

Nada - Toranja


(Não se "zanguem" comigo... Hoje deu-me para isto...)

Fragmentos

Pairando... suspensa... quase com os pés no chão... Procuro, certamente, um local onde pousar...

Ansiedade... porque o tempo passa depressa demais... porque o tempo nunca mais passa...

Exigente... demasiado...

Ao sabor das ondas...

Angústia...

E a precisar de apanhar um susto valente, para tirar a prova dos 9.

E mais, mais não sei...

quarta-feira, 24 de setembro de 2008

Sem palavras...

sábado, 20 de setembro de 2008

Post da treta...

Hoje lembrei-me de postar um post da treta... As futilidades às vezes também fazem bem, ou não é? Além de que desconfio que este seja dos últimos posts da treta que irei publicar, porque algumas mudanças se aproximam a passos largos... E a inspiração lá terá de ir para outro sítio... Mas isso é outra história :)

Ora, hoje apeteceu-me apresentar o meu "companheiro de trabalho" à blogosfera!

Eu chamo-lhe "Avestruz", mas na realidade, chama-se Sam e é uma águia (?)... enfim...

Gosto muito dele, tem-me feito muita companhia na prateleira e acho-lhe imensa piada... Ajuda a descomprimir e não é raro ver-me com ele na mão... Além disso, preza-se muito a penteados, na sua bonita cabeleira branca!!! Senão ,vejam...

Uns mais clássicos, com brilhantina!!!
Outros mais radicais, à punk, por exemplo... (ou como eu devo ficar quando me aparecem clientes difíceis)



E ainda este [parecido ao meu (des)penteado matinal]

Enfim... É só dar largas à imaginação!!!

Quando ele se for embora (se eu não me for primeiro), sei que irei ter muitas saudades... Só não o compro, porque sei perfeitamente que depois a nossa relação não seria a mesma... Por isso mais vale ter calma, aproveitar cada dia como se fosse o último... E, porque na realidade, como diz a canção... Ninguém é de ninguém...