Sexta-feira. Jantei, lavei a loiça... Avisei a mãe que só amanhã farei a viagem de fim-de-semana, para visitar a família. Estou cansada para fazer a viagem durante a noite. Foi bom chegar ao silêncio da casa, a um espaço que neste momento é só meu. Aproveitei para escrever um pouco. No silêncio. Muitas vezes preciso de silêncio. Não digo que seja uma fuga, em tempos pode ter sido. Hoje é uma forma de descansar. Digo hoje, porque amanhã não sei. Para mim o silêncio diz muito. Parece contraditório, não? Mas enfim, pouco na vida faz pleno sentido... e nem me interessa que faça sempre. Estou cansada que tudo faça sentido. Toda a minha vida foi cheia de sentido/obrigações que incuti a mim mesma, o que não deixou de ser importante para me trazer ao lugar onde estou, mas será que não o teria também conseguido se tivesse levado uma vida um pouco mais louca? Pois é, não sei, e o que vale é que ninguém sabe. A pressa de chegar não leva a lado nenhum... nem o caminho. "O que interessa é viver", já diz a canção.
Estou sentada na cama, com tudo espalhado à minha volta, a escrever estas palavras. Arrumo depois. Faço depois. Depois.
Penso no que foi o meu dia. Nalgumas propostas profissionais em que tenho de pensar e terei de arriscar! Mas que anseio serem amplamente positivas - o surgir de uma nova era! eheheh
Penso nas pessoas que me rodeiam. Nos amigos mais próximos. Nos meus sobrinhos. Nas novidades que terei da família quando os for visitar. Nas novidades que irei contar.
E penso muitas vezes que tenho o privilégio de estar rodeada de pessoas boas em todas as áreas. Sinto-me muito rica por isso. Nunca é demais agradecer-lhes. Certo é que também ignoro ao máximo quem não interessa...
Sinto-me em paz. Não me considero uma pessoa efusiva na alegria, mas sim uma pessoa que consegue disfrutar da paz de um momento de realização e de felicidade interior. No trabalho, já me chamam "espirituosa"... e admito que têm alguma razão. Por vezes caio na ingenuidade de pensar que os outros me conseguem entender se eu não falar. Mas também sei que serei muito feliz quando encontrar alguém, a quem dar um longo abraço baste... e ficar tempos sem fim nessa partilha...
Há dias, numa conversa, apercebi-me da quantidade enorme de entraves que tracei a mim mesma, durante toda a vida. Nenhum deles faz sentido, simplesmente porque mereço ser feliz e como já disse em tempos: as pessoas merecem todas as oportunidades para serem felizes... ou procurar (ver) essa felicidade.
E poderia escrever muito mais coisas... mas não me apetece escrever mais...
Vou tratar de passar umas músicas para o leitor de MP3 e amanhã ouvir na viagem. Arrumar as tralhas... fazer a cama de lavado. Vestir um pijama lavadinho. Aconchegar-me nos lençóis e ficar entregue aos meus pensamentos... ou à ausência deles.
Bom fim-de-semana...